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Retail Media: o que é e por que está virando uma das maiores alavancas de margem do varejo

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Loja de roupas moderna e bem iluminada, com araras organizadas e mesas centrais de exposição. No fundo, duas telas digitais exibem recomendações de looks personalizados. À direita, um totem interativo sugere combinações de peças, enquanto um casal consulta um tablet no centro da loja. Elementos como selo de produto patrocinado e QR code nas araras reforçam o conceito de retail media integrado ao ambiente físico.

Imagine a cena: você investe em mídia, puxa tráfego, faz promoção… e mesmo assim a margem fica cada vez mais apertada. Aí vem a sensação clássica do varejo moderno: “eu estou trabalhando mais para ganhar o mesmo”. Só que, no meio desse aperto, tem um ativo que quase todo varejista já possui e costuma subestimar: a atenção do cliente no exato momento de compra, somada aos dados que a operação gera todos os dias (vendas, estoque e comportamento de clientes).

É desse ponto que nasce o Retail Media. Não como modismo, mas como mudança de jogo: o varejo deixa de ser só o “lugar onde a marca vende” e passa a ser também um canal de mídia dentro do ecossistema de compra, com mensuração muito mais próxima de venda do que a mídia tradicional. Quando isso é bem estruturado, vira motor de crescimento: cria nova receita, melhora eficiência comercial e fortalece relacionamento com clientes, porque a comunicação fica mais relevante e menos aleatória.

O varejo sempre teve audiência, só não chamava de “mídia”

Todo varejista entende de fluxo. No digital, é sessão e conversão. No físico, é movimento, corredor quente, fila no caixa. O ponto é simples: atenção é um ativo. E não é qualquer atenção, é a atenção de alguém que já está em modo compra.

Por anos, essa audiência acontecia dentro da operação, mas não virava estratégia de negócio. O varejo usava o espaço para expor produto, negociar ponta de gôndola, organizar vitrine. Só que o mundo ficou mais mensurável, mais digital e mais pressionado por margem. A pergunta mudou de tom: “como eu vendo mais?” para “como eu cresço sem me matar de desconto?”.

Tráfego alugado: quando a conta não fecha

Tem uma dor que virou rotina: o varejo paga para trazer gente, paga de novo para impactar, e no fim percebe que a eficiência caiu. O tráfego vem, mas não fica. A recorrência custa caro. Quando o orçamento aperta, é comum cortar marketing, só que isso desacelera demanda e vira uma gangorra.

A virada: dados e jornada valem dinheiro

A virada do retail media no varejo acontece quando o varejista conecta três coisas que já existiam, mas estavam separadas:

  • Canais: site, app, marketplace, loja física, CRM
  • Dados próprios (first-party data): vendas, estoque, clientes
  • Jornada real de compra: busca, comparação, escolha, recompra

Quando essas peças se conectam, o varejo cria um novo motor: ajudar marcas a aparecerem melhor para o cliente certo, no momento certo, com regras e mensuração consistentes. E isso vira receita com potencial de margem maior do que a venda do produto em si, dependendo do modelo e da escala.

O que é Retail Media

Retail Media é quando o varejo monetiza seus próprios canais e dados para oferecer mídia contextualizada e mensurável para marcas, perto do momento de compra.

E aqui vale a distinção para não confundir com “marketing normal”:

  • Retail Media não é “qualquer campanha do varejo”.
  • Retail Media é quando o varejo opera como veículo de mídia, com inventário (espaços), públicos (segmentos), formatos, preço e mensuração, geralmente com investimento direto da indústria.

Para as marcas, a lógica é direta: em vez de falar com “públicos prováveis”, elas conseguem impactar pessoas com intenção real: quem está buscando, navegando numa categoria ou comprando com frequência. É por isso que esse modelo ganhou força.

Para que serve: por que virou um novo motor de crescimento

Retail Media cria uma linha de receita adicional que não depende de aumentar o volume com desconto. Em vez de tirar margem, pode colocar margem, porque você está monetizando ativos que já existem: atenção, dados e espaços nos seus canais.

Além da receita, tem três efeitos colaterais muito valiosos:

  • Eficiência de campanhas: menos desperdício, mais intenção. Quando você mede campanha com consistência, começa a enxergar quais categorias reagem melhor, quais lojas performam diferente e quais produtos precisam de giro (sem cair em liquidação eterna).
  • Experiência melhor para o cliente: quando é bem feito, o retail media parece uma recomendação contextual, ajuda o cliente a encontrar mais rápido, ver ofertas relevantes e receber comunicação útil.
  • Relação mais estratégica com a indústria: sai a conversa genérica (“me dá verba”) e entra a negociação baseada em dados: “essa campanha aumenta o giro”, “esse público recompra”, “nessa região o mix responde melhor”.

O varejo não vira “mídia” para encher tela de banner. Vira mídia para transformar investimento em resultado mensurável e rotina comercial.

Como funciona na prática (sem complicar)

Você pode pensar em retail media como um ciclo simples:

  1. Canais + dados: você já tem site/app, loja e CRM e dados de vendas, estoque e clientes.
  2. Inventário: define onde a marca pode aparecer (busca, vitrine, categoria, PDV, CRM) e para quem (segmentos).
  3. Campanhas: a indústria ativa campanhas para objetivos claros (lançar, ganhar share, girar, aumentar ticket).
  4. Mensuração e otimização: mede com regras simples, aprende e melhora (testar → medir → ajustar → repetir).

A maturidade vem com o tempo. O ponto é começar com uma lógica que faça sentido e evoluir sem virar bagunça.

Tipos de Retail Media: os 3 blocos que você precisa entender

1) Search Ads (online: e-commerce/marketplace)

O que é: mídia de busca dentro do ambiente do varejo. Quando o cliente busca “shampoo anticaspa” ou “café em grãos”, alguns resultados podem ser patrocinados (com identificação), priorizando marcas ou SKUs.

Exemplo prático: a marca paga para “aparecer primeiro” quando o cliente busca um SKU/categoria. Isso é forte porque captura intenção.

Quando faz sentido: quando você já tem tráfego relevante e um catálogo minimamente organizado (categoria, atributos, boas descrições). Sem isso, a busca vira confusa e o patrocinado perde eficiência.

2) In-Store Mídia (lojas físicas)

O que é: telas, rádio, ativações e sinalização digital no ponto de venda. É o varejo tratando o PDV como canal de comunicação mensurável (ou, pelo menos, planejado com lógica).

Exemplo prático: campanha por loja/região conectada ao estoque local. Se a loja tem excesso de um item, a ativação prioriza aquele giro sem precisar derrubar preço antes de tentar direcionar demanda.

O pulo do gato: não é “passar vídeo aleatório”. É contextualizar loja, horário, público, estoque, sazonalidade. In-store media forte é aquela que conversa com a realidade da operação.

3) Dados e Campanhas (base de clientes / offsite)

O que é: uso da base (com consentimento e governança) para segmentar e ativar campanhas fora do ambiente do varejo, ou em canais diretos como CRM.

Exemplo prático: reimpactar quem viu e não comprou, ou ativar quem compra com frequência em uma categoria (para testar um lançamento, um kit, uma migração para marca própria etc.).

Atenção: privacidade e consentimento. O varejo não precisa complicar, mas precisa tratar isso como regra básica: transparência, permissão e boas práticas de governança.

Por que Retail Media orienta o crescimento do varejo (especialmente no médio varejo)

Retail Media entra como estratégia quando o varejo decide parar de depender apenas de “mais venda” para gerar resultado. Ele cria uma avenida paralela: monetizar o ecossistema, não só a transação.

E tem um ponto importante: muita gente no médio varejo pensa “isso é coisa de gigante”. Só que o raciocínio pode ser mais simples: você já tem audiência, operação e relacionamento. A questão é estruturar e priorizar o que dá retorno primeiro.

No cenário global, os dados indicam US$ 177,7 bilhões em 2025 para o mercado de retail media, segundo a WARC.

O que isso sinaliza, para o médio varejo, é uma direção: dados e canais próprios estão virando vantagem competitiva, tanto para vender melhor quanto para negociar melhor com a indústria.

Retail Media depende de dados unificados e é aqui que a Maloka pode ajudar

No papel, todo mundo quer ser data-driven. Na prática, os dados ficam espalhados: um pedaço no ERP, outro no e-commerce, outro no CRM, outro na planilha da semana.

Retail Media exige o básico bem feito: vendas, estoque e clientes conversando. Porque campanha boa considera demanda e disponibilidade. Considera histórico do cliente, não só clique.

Na rotina, sempre aparecem perguntas como:

  • “Qual categoria vale impulsionar agora?”
  • “Quais lojas têm estoque e potencial para essa ativação?”
  • "Qual segmento de cliente responde melhor?”
  • “Qual produto é herói e qual é cauda longa?”

Quando você consegue conversar com os dados, a decisão sai do feeling e vira processo. E o ideal não é criar mais um dashboard para “olhar quando der”. É criar gatilhos práticos:

  • alertas de risco de ruptura em itens impulsionados
  • sugestões de campanhas por oportunidade (giro, sazonalidade, perfil)
  • priorização por margem e disponibilidade

Retail Media não se sustenta em apresentação bonita. Ele se sustenta em rotina de decisão.

Checklist rápido: “meu varejo está pronto?”

  • Tenho dados minimamente confiáveis de vendas, estoque e clientes?
  • Meu catálogo é buscável e organizado o suficiente para não virar confusão?
  • Sei quais espaços/canais eu posso oferecer como inventário de mídia?
  • Tenho um mínimo de métricas e cadência de análise para otimizar?
  • Consigo conectar campanha com realidade de estoque e operação?

Se você marcou “não” em alguns pontos, tudo bem, isso não te impede de começar, só te orienta por onde começar.

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