Se você é varejista, provavelmente já viveu essa cena: o cliente entra no site, navega, compara, some. Você percebe que a decisão dele está sendo tomada antes mesmo de falar com seu time.
Agora imagine que em vez de pesquisar, o consumidor diz para uma IA “compra um tênis confortável até R$ X, entrega até sábado, tamanho Y” e o agente escolhe por ele. Nesse cenário, não basta ter o e-commerce, você precisa ser selecionado.
É aqui que entra o trio SEO + GEO + ACO. O SEO continua sendo a porta de entrada do Google. O GEO é o que faz sua marca e seus produtos aparecerem nas respostas e recomendações de IA. E o ACO é o preparo para quando a jornada de compra inteira for executada por agentes, comparando preço total, prazo real, confiabilidade e política de troca.
Este artigo tira o assunto do “hype” e coloca no chão da operação, com ações práticas para o varejo digital (com loja física ou não).
Varejo digital: de ser encontrado para ser selecionado
Durante anos, a lógica do digital foi: apareça no Google, traga tráfego, converta. Isso continua valendo, mas agora existem duas camadas novas:
- A camada da resposta: o consumidor faz uma pergunta e espera uma recomendação pronta. Ele não quer 10 links, ele quer “o melhor custo-benefício”, “o que chega amanhã”, “o que serve para tal uso”.
- A camada da delegação: o consumidor pede para uma IA resolver por ele. A IA procura, compara, filtra, decide e compra, com critérios bem objetivos.
Para o varejo digital, isso significa que sua presença online, precisa funcionar bem em três ambientes ao mesmo tempo:
- Busca tradicional (SEO): você disputa ranking.
- Respostas/recomendações por IA (GEO): você disputa confiança e citabilidade.
- Compra por agentes (ACO): você disputa “comprabilidade” (o quanto é fácil e seguro para um agente de IA pesquisar, selecionar e fechar a compra com você).
E tem um detalhe importante: quem é omni (loja virtual + loja física) pode ganhar vantagem, porque consegue oferecer retirada, troca facilitada, disponibilidade regional e atendimento local, coisas que melhoram a decisão do cliente e também pesam na decisão de uma IA.
Definições rápidas: SEO, GEO e ACO
SEO = Search Engine Optimization (ranqueamento)
É tudo o que você faz para suas páginas aparecerem bem em mecanismos de busca (como o Google): categorias, páginas de produto, conteúdo, velocidade, estrutura técnica.
GEO = Generative Engine Optimization (respostas e recomendações)
É a otimização para você aparecer nas respostas de assistentes e mecanismos de IA generativa. Na prática, a IA precisa conseguir entender seu catálogo, confiar nas informações e recomendar você quando alguém pedir uma solução.
ACO = Agentic Commerce Optimization (conversa + jornada de compra por IA)
É estar pronto para um cenário em que agentes de IA executam a jornada completa: descobrem o produto, escolhem variação, checam disponibilidade, comparam prazo e preço total, avaliam reputação, finalizam compra e acompanham pós-venda.
Pensa assim:
SEO te coloca na prateleira. GEO te coloca na recomendação. ACO te coloca no carrinho, mesmo sem o cliente clicar em nada.
Antes de otimizar: a base que sustenta os 3
Antes de falar de técnicas, vale uma verdade meio chata (e muito prática): SEO, GEO e ACO quebram quando a operação não é consistente. Se o seu site promete uma coisa e entrega outra, você até pode atrair tráfego… mas perde conversão, reputação e recorrência. E no mundo de agentes, inconsistência vira critério de exclusão.
Aqui está o “mínimo viável” que sustenta os três:
Catálogo confiável
Seu cadastro de produto é o seu vendedor 24/7. E, para IA, é também o seu “currículo”. Garanta que seu catálogo tenha:
- Nome claro (com tipo, marca, linha e variação quando necessário)
- Atributos completos (tamanho, cor, voltagem, material, compatibilidade, dimensões)
- Fotos e descrição que ajudam decisão (sem texto genérico/copiar e colar do fornecedor)
- Categorias coerentes (um produto no lugar certo facilita busca e recomendação)
Sinal de alerta: se seu time precisa “explicar no chat” o que o produto é, o seu catálogo de produtos está com problemas no cadastro.
Estoque e preço consistentes
- Disponibilidade real (tem no site o que tem no estoque)
- Preço atualizado e regras claras de promoção e descontos
- Variações com estoque correto (muito e-commerce perde venda por erro no tamanho/cor)
Em GEO/ACO, a IA tende a privilegiar quem reduz risco de frustração do cliente.
Dados do cliente e pós-venda
Agentes (e pessoas) valorizam:
- Prazo real e rastreável
- Política de troca/devolução clara
- Meios e formas de pagamento claros
- Garantia e suporte acessíveis
- Reputação (avaliações e histórico de resolução)
Se o pós-venda é confuso, a recomendação cai e a seleção por IA também.
Integrações e rastreabilidade (ERP/OMS/PDV)
Principalmente no omni, integração bem feita é o que impede:
- vender o que não tem
- prometer o que não consegue entregar
- perder histórico do cliente entre canais
Sem isso, você otimiza a vitrine e piora a experiência. E a conta chega.
Checklist rápido: o que fazer no seu negócio
Uma sugestão de plano básico, sem depender de “projeto gigante”, que pode ser aplicado no seu varejo para melhorar em termos de SEO, GEO e ACO.
1. Arrumar a base que dá retorno rápido
- Revisar cadastro dos top SKUs (os que mais vendem) com atributos completos
- Ajustar as páginas de produto desses itens: título claro, especificações, FAQ e políticas
- Garantir frete/prazo e troca/devolução fáceis de encontrar
- Mapear “as 10 perguntas” que mais chegam no WhatsApp e transformar em FAQ no site
2. Ganhar tração em SEO e começar GEO com consistência
- Organizar categorias e filtros das linhas principais
- Criar conteúdos de intenção comercial (guias e comparativos)
- Ativar e incentivar avaliações de produto e loja (sem “forçar nota”, mas pedindo feedback real)
- Melhorar performance mobile (o básico: imagens, velocidade, navegação)
- Estruturar padrões de cadastro por categoria (para manter consistência)
3. Ficar pronto para escalar e entrar no ACO com solidez
- Governança de dados: quem atualiza preço, estoque, cadastro e quando
- Integrar melhor canais (evitar vender o que não tem)
- Implantar rotinas para identificar: ruptura, divergência de estoque, variação sem cadastro, atraso por transportadora
- Criar “camadas de confiança”: políticas claras + histórico de resolução + comunicação proativa
- Preparar a operação para compras assistidas por IA
Onde a Maloka entra
O maior erro do varejo ao falar de SEO/GEO/ACO é tratar como “projeto de marketing” isolado. Na prática, é um trabalho de consistência de dados e operação.
Quando você centraliza dados de Vendas, Estoque e Clientes, você consegue:
- identificar quais produtos trazem tráfego e não convertem (e o motivo real)
- enxergar ruptura e divergências que matam reputação
- priorizar otimizações por impacto (não por opinião)
- manter catálogo e oferta consistentes em todos os canais
- responder perguntas do negócio com rapidez (“por que esse SKU parou de vender?”)
E quando você consegue conversar com os dados, você para de operar no escuro. Você encontra gargalos antes que eles virem reclamação, devolução e perda de margem.
O SEO não morreu. Ele virou só uma parte do jogo. Agora, seu varejo precisa ser: encontrável (SEO), recomendável (GEO) e comprável (ACO).
Se você quer um diagnóstico objetivo do que ajustar primeiro (site, catálogo, estoque, prazos, políticas e dados), o caminho é começar pelo básico bem feito e evoluir com método.